Como Acabar com os Choques Elétricos e Salvar Vidas? IDR ou DR!

Todos os anos inúmeras pessoas sofrem acidentes com a energia elétrica.

Muitos sofrem queimaduras, mutilações e até mesmo mortes.

Segundo um anuário divulgado pela Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) foram 1387 acidentes elétricos registradas no Brasil em 2017, sendo 702 vítimas fatais.

Em 2018 foram 1424 acidentes, 537 casos de incêndio e 622 mortes, todos por causa elétrica.

Choques em 2019 foram 909 e em 2020 caiu um pouco para 853.
Incêndios de origem elétrica em 2019 somaram 656, já em 2020 reduziram para 583.
Vítimas fatais por acidente elétrico em 2019 chegaram a 821, em 2020 continuou alto, com um total de 764.

A grande maioria desses acidentes poderiam ser evitados se em todas as residências e comércios existissem dispositivos de proteção IDR instalados.

Um equipamento simples e barato que protege as pessoas, desligando a energia ao menor sinal de que alguém possa estar levando um choque elétrico.

Porém, apesar da atualização da norma ABNT NBR 5410, impondo a obrigatoriedade, ainda é muito comum vermos instalações novas que não utilizam o IDR.

Aprenda mais a seguir…

O que é um DR ou IDR?

O dispositivo Diferencial Residual (DR) ou Interruptor Diferencial Residual (IDR) é um elemento de proteção elétrica.

DR na Wikipedia

Interruptor Diferencial Residual

Para que serve?

A função do DR é unicamente evitar choques elétricos e proteger as pessoas.

Qual a diferença para um disjuntor?

O disjuntor comum, ou termomagnético, também é um elemento de proteção elétrica, porém sua função é somente interromper curtos-circuitos ou sobrecargas, não tendo a função direta de proteção contra choques elétricos.

Já o DR não possui função de proteção contra curtos-circuitos ou sobrecargas, somente contra choques elétricos.

Disjuntor Termomagnético na Wikipedia

Como funciona?

Resumindo: Dentro do DR existe um sistema que mede a diferença da corrente que entra na casa pelo condutor de fase e a que volta da casa pelo condutor de neutro, assim, se existir uma diferença, isso indica que ou existe uma fuga de corrente na instalação ou em algum equipamento, ou então, no pior caso, alguém está levando um choque elétrico.

Logo, se a diferença for maior que 0,03A o dispositivo desarma e interrompe o circuito, evitando acidentes e, principalmente, perdas de vidas.

Quais os tipos?

Existem três classificações: por corrente nominal, por número de elementos e por corrente de abertura.

A corrente nominal é a capacidade de corrente que o dispositivo deve suportar em condições normais de carga.

Sobre o número de elementos os mais comuns são:

·        Bipolares – Onde entram e saem os condutores de Fase e de Neutro, ou seja, para redes monofásicas;

·        Tetrapolares – Onde entram e saem os condutores das 3 Fases e do Neutro, ou seja, para redes bifásicas ou trifásicas.

Das correntes de abertura, temos:

·        30mA ou 0,03A, maior proteção;

·        300mA ou 0,3A, maior tolerância.

Como usar?

O DR deve ser instalado após o disjuntor geral no quadro de distribuição.

Assim como o disjuntor, ele possui entradas e saídas dependendo do número de elementos, mas sempre entram os condutores de fase e neutro vindo do disjuntor geral e saem os condutores de fase e neutro para os circuitos de distribuição para dentro da casa.

Na ilustração abaixo, o DR está ligado entre as fases (fios pretos) saindo do disjuntor geral (QG) e os disjuntores dos circuitos da instalação. Também deve ser ligado o neutro (fio azul claro) vinda da rede e antes da barra de distribuição de neutro para a instalação.

Nunca deve ser ligado em paralelo, sempre em série, deve estar no caminho das fases e neutro, caso contrário não funcionará. Todas as correntes devem passar por ele para que possa identificar se há algum problema.

Modo de ligação do DR: após o disjuntor e o DPS

Obrigatoriedade

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) possui a Norma Brasileira (NBR) de número 5410 que trata das Instalações Elétricas de Baixa Tensão. Nela existe um item que trata da obrigatoriedade das instalações em possuir ao menos um DR.

Norma ABNT NBR 5410

Link da Target para comprar a NBR 5410

A obrigatoriedade do uso do interruptor diferencial residual existe desde 1997!

Porém, ainda hoje é comum se deparar com novas instalações que não possuem o DR, resultando em um alto risco de choque elétrico, eletrocussão e mortes para as pessoas que utilizam essas instalações.

O botão de Autoteste

Todo DR tem um botão de autoteste para garantir que está funcionando direito.

Esse botão provoca uma diferença de corrente simulando um choque elétrico para que o DR possa operar.

É muito importante que se faça um teste no DR apertando o botão para garantir que ele ainda vai funcionar se alguém estiver levando um choque. Recomenda-se um teste a cada 6 meses.

Quanto custa?

O preço do DR pode variar muito entre os tipos e entre fabricantes, mas podemos encontrar com valores a partir de R$ 40,00.

Conclusão

Mesmo sendo um elemento de baixo custo e de extrema importância, principalmente em locais com bebês e crianças, ainda existe muita desinformação e descaso com relação ao DR, o que acaba impedindo que ele seja utilizado amplamente, como exige a norma.

Não podemos achar que somente o disjuntor termomagnético é suficiente para proteger uma instalação, é de extrema necessidade que tenhamos uma combinação de disjuntor termomagnético e interruptor diferencial residual para a perfeita proteção da instalação, equipamentos e pessoas.

Muitas mortes todos os anos poderiam ter sido evitadas se as instalações elétricas e os equipamentos fossem todos aterrados e a instalação possuísse ao menos um interruptor diferencial residual (IDR ou DR).

Aprenda isso e muito mais no curso Técnico em Eletrotécnica do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) Campus Ibirubá.

Mais informações, artigos e dicas como essa:

Veja na aba “Artigos e Dicas” ou Clique Aqui!

Veja também:

Importância do Aterramento: Pino e Fio Terra

Queima de Equipamentos por Raios? DPS! Conheça essa proteção muito necessária

Estabilizador de Tensão: Será que Realmente Protege?

Mitos e Dicas em Eletricidade

2 Comments

Deixe um comentário para Reginaldo Ferreira da Silva Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *