Queima de Equipamentos por Raios? DPS! Conheça essa proteção muito necessária

O Brasil é um dos campeões mundiais em incidência de raios.

Inúmeras descargas atmosféricas atingem o solo, causando destruição, danos e mortes.

Principalmente no verão, que é a nossa época do ano com maior quantidade de tempestades.

Logo, também é a época com maior quantidade de queimas de equipamentos elétricos e eletrônicos.

Quem nunca ouviu a mãe dizer que está vindo um temporal e que é para tirar as coisas da tomada?!

Para ajudar com esse problema, podemos utilizar os DPS’s.

Aprenda mais a seguir…

O que é um DPS?

O Dispositivo Protetor contra Surtos (DPS) é um elemento de proteção elétrica.

DPS na Wikipedia

Dispositivo Protetor contra Surto (DPS)
Dispositivo Protetor contra Surto (DPS)

Para que serve?

Resumidamente: A função do DPS é unicamente tentar desviar a maior parte dos surtos para longe da rede elétrica da instalação.

Os surtos podem ter várias origens, mas um dos mais conhecidos são as sobretensões produzidas por descargas atmosféricas, os raios.

É por isso que muita gente chama os DPS de anti-raios.

Mas um fusível ou o disjuntor já não protegem contra raio?

Resposta rápida: NÃO! Um fusível ou disjuntor não protege nada contra raios!

O fusível precisa de um tempo para o fio esquentar, derreter e, assim, interromper a corrente. Fusível na Wikipedia

O disjuntor também precisa de um tempo para se sensibilizar, perceber a alta corrente e assim desarmar mecanicamente. Disjuntor Termomagnético na Wikipedia

E um surto, ou raio, são rápidos demais para dar tempo disso tudo acontecer.

Ou seja, o surto/raio chega no equipamento antes que a proteção atue: antes que o fusível possa queimar e antes do disjuntor conseguir desligar.

É muito comum que o equipamento queime por causa do surto e o fusível ainda esteja inteiro e o disjuntor não tenha desarmado. Quando o fusível queima ou o disjuntor abre, normalmente é porque o equipamento queimou e entrou em curto-circuito.

Portanto, não foi o surto/raio que fez o fusível queimar ou o disjuntor desarmar, foi sim o curto-circuito que aconteceu no equipamento depois que o surto/raio provocou um grande dano interno.

Qual a diferença para um disjuntor/fusível?

Os disjuntores comuns, ou termomagnéticos, ou os fusíveis também são elementos de proteção elétrica, porém sua função é somente interromper curtos-circuitos ou sobrecargas, não tendo nenhum efeito contra surtos ou raios.

Já o DPS não possui função de proteção contra curtos-circuitos, sobrecargas ou choques elétricos, somente contra surtos e raios.

Como funciona?

Resumindo: Dentro do DPS existe um elemento que chamamos de resistência não linear. Esse “resistor” varia sua resistência de um valor muito alto em situações normais, para um valor quase zero quando chegam altíssimas tensões.

Esses elementos podem ser encontrados à venda com o nome de varistor. Varistor na Wikipedia

Assim, quando o DPS está em uma rede normal, ligado entre uma fase e o terra, a resistência é alta demais e a corrente que passa por ele é bem pequenininha.

Já quando chega um surto/raio, a tensão sobe demais e a resistência dele cai depressa para um valor muito baixo, fazendo surgir um caminho mais fácil para o surto/raio ir para o terra, ou seja, toda aquela corrente que entraria na instalação, acaba sendo desviada para o terra.

Isso tudo somente se a instalação possuir um fio terra e conectado a um aterramento adequado e eficiente.

Quais os tipos?

Eles são classificados por classe, tensão nominal, corrente máxima de descarga e tensão residual.

Existem três classes:

  • Classe I: Dispositivos que devem suportar o maior impacto dos surtos/raios, normalmente suportam uma maior energia e ficam no quadro do medidor de energia do padrão de entrada;
  • Classe II: Dispositivos que devem desviar o surto/raio que o classe I não conseguiu totalmente, normalmente de energia média e ficam no quadro de distribuição dentro da residência/instalação;
  • Classe III: Dispositivos para proteger os equipamentos individualmente para o remanescente do surto e da sobretensão, de baixa energia e que normalmente ficam conectados na tomada e o equipamento é ligado a ele.

Ou seja, um deles sozinho não dá conta de desviar toda a energia e velocidade do surto/raio.

Tensão nominal deve ser igual a tensão da rede elétrica, ou seja, ou é 127V ou é 220V.

Corrente máxima de descarga é a maior capacidade de surto/raio que ele pode desviar sem que haja um dano ao dispositivo, normalmente marcada em milhares de ampères, exemplo: 10kA, 20kA, 40kA, 60kA etc.

Tensão residual é a máxima tensão que ele deixa passar para a instalação no caso do pior surto/raio e desde que o aterramento esteja bom.

Como usar?

O DPS deve ser instalado sempre ligando um dos condutores de Fase e do outro lado o condutor terra, para que ele desvie toda a energia dos surtos/raios que estão vindo pela rede para o sistema de aterramento e, assim, proteger a instalação.

Também existem DPS específicos para o condutor Neutro e para sistemas diversos, como: rede de computadores ethernet, cabos de antena, de telefonia etc.

Na ilustração abaixo temos 4 DPS’s: um para cada fase, ligado entre cada condutor de fase (linha preta) e o terra (linha verde) e um para o neutro, ligado entre o neutro (linha azul) e o terra (linha verde).

Sempre devem ser instalados depois do disjuntor geral (QG) e antes do interruptor diferencial residual (DR).

Esquema de Ligação dos DPS's
Esquema de Ligação dos DPS’s

Obrigatoriedade

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) possui a Norma Brasileira (NBR) de número 5410 que trata das Instalações Elétricas de Baixa Tensão. Nela existe um item que trata da obrigatoriedade das instalações em possuir ao menos um DPS por fase no padrão de entrada, onde está o medidor de energia. Norma ABNT NBR 5410

Link da Target para comprar a NBR 5410

A obrigatoriedade do uso do dispositivo protetor contra surto existe desde 2014!

Sendo que todas as concessionárias de energia elétrica do Brasil obrigam o seu uso.

Porém, ainda hoje é comum se deparar com novas instalações que não possuem o DPS, resultando em um alto risco de queima de equipamentos e até mesmo mortes para as pessoas que utilizam essas instalações.

O indicador de fim de vida útil

Todo DPS possui alguma forma de indicação visual para sinalizar que acabou sua vida útil, sendo necessária à sua substituição.

Isso porque ao longo dos anos, esse DPS vai ficar sujeito há muitos surtos diferentes que vão desgastando os seus elementos internos, até chegar ao ponto de não funcionar mais direito.

Por isso, é obrigatório que ele tenha alguma indicação que esgotou sua vida e que não oferece mais nenhuma capacidade de proteção.

Sugere-se a inspeção visual dos DPS’s ao menos uma vez ao ano para garantir a correta proteção da instalação.

Qual o custo?

O preço do DPS pode variar muito entre os tipos e entre fabricantes, mas podemos encontrar com valores a partir de R$ 20,00.

A responsabilidade da concessionária de energia elétrica e do consumidor

Toda concessionária de energia elétrica é obrigada a ressarcir os danos aos equipamentos dos seus clientes no caso de queima por surtos/raios, desde que o cliente obedeça a duas condições:

  1. Tenha um laudo de uma assistência técnica afirmando que o defeito foi causado por surto/raio;
  2. Tenha o DPS instalado no padrão de entrada.

Se essas duas condições forem atendidas, pode-se entrar em contato com a concessionária que ela deve pagar todos os custos de manutenção ou substituição do equipamento.

Equipamentos com DPS Classe III

Existem no mercado muitos equipamentos e dispositivos “anti-raios” ou com proteção contra sobretensão, como: filtros de linha, “réguas” de tomadas, adaptadores, plugues, estabilizadores e “no-break”.

A maioria deles, os de qualidade, possuem um elemento de proteção contra surtos, como o varistor, e que são enquadrados na categoria de DPS Classe III.

Porém, ainda é muito grande a propaganda exagerada ou falsa de dispositivo para vender algo sem proteção alguma além de um fusível como um protetor “anti-raios”.

Tome cuidado! Veja se está escrito nas descrições técnicas alguma informação como: proteção contra sobretensão, varistor, MOV (metal oxide varistor – varistor de óxido metálico), GDT (gas discharge tube – tubo de descarga à gás) ou SAD (silicon avalanche diode – diodo de sílício de efeito avalanche).

Exemplo de um DPS Classe III do fabricante Clamper

DPS Classe III
DPS Classe III

Conclusão

Mesmo sendo um elemento de baixo custo e de grande importância, ainda existe muita desinformação e descaso com relação ao DPS, o que acaba impedindo que ele seja utilizado amplamente, como exige a norma.

Não podemos achar que somente o disjuntor termomagnético, um fusível ou estabilizador são capazes de proteger contra surtos/raios, é de extrema necessidade que tenhamos uma combinação de dispositivos protetores contra surtos (DPS) para a melhor proteção da instalação, equipamentos e pessoas contra surtos e raios.

Além disso, no caso de queima de equipamentos por surtos ou raios e se existirem DPS’s instalados, a concessionária deverá pagar por aquele dano.

Aprenda isso e muito mais no curso Técnico em Eletrotécnica do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) Campus Ibirubá.

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