Quem precisa saber ler e escrever?
A escritora gaúcha, Martha Medeiros, conhecida como uma das melhores cronistas brasileiras, escreveu, em 2005, uma crônica intitulada Quem precisa saber escrever?. “Escrever bem, escrever certo, deveria ser considerado um hábito tão fundamental quanto tomar banho ou escovar os dentes”, afirma ela ao iniciar sua crônica. De forma simples e direta, a cronista aborda um aspecto fundamental: a linguagem; de modo especial, a escrita em nosso dia a dia. Na crônica, a autora salienta que recebe e-mails diários e, em uma ocasião, recebeu “uma mensagem de um sujeito muito gentil”, ele fazia comentários elogiosos aos textos dela. Segundo ela, cometeu alguns erros gramaticais comuns, como acontece com meio mundo, mas o que a surpreendeu foi que ele se despediu dizendo “Desculpe por não escrever o português corretamente, mas sabe como é, sou engenheiro”. De acordo com a acepção dele, se ele fosse escritor, jornalista ou professor, escrever adequadamente seria imprescindível, mas sendo engenheiro, estaria “liberado dessa fatura”.
Talvez antes da “Internet”, smartphone e rede social, alguns profissionais até poderiam afirmar que a leitura e a escrita não faziam parte de seu cotidiano – o que é bem questionável. Hoje, no entanto, é muito mais evidente a importância da linguagem: as novas tecnologias permitiram novos negócios e novas formas de comunicação. A maioria dos profissionais conseguem anunciar facilmente seus serviços por meio de páginas em redes sociais; prazos e orçamentos são acordados por aplicativos e o contato ficou mais dinâmico, rápido e acessível. Mas não há margem para má interpretação: é preciso escrever bem e ser um bom leitor. Sendo assim, principalmente para que haja agilidade e os objetivos sejam alcançados, é necessário assegurar qualidade no que se escreve, além de bom nível de leitura.
Nesse sentido, é de extrema importância para uma formação plena, possibilitar ao aluno o acesso e o aprimoramento tanto da escrita quanto da oralidade – e isso é o que se tem procurado contemplar nos cursos oferecidos no IFRS – Campus Ibirubá. Nesse contexto, o curso subsequente Técnico em Eletrotécnica tem como principal objetivo proporcionar a formação de profissionais capazes de compreender e operacionalizar os conhecimentos e habilidades da área da eletricidade, seus processos e suas transformações no mundo do trabalho, buscando uma postura ética, aliada à competência técnica – o que possibilita um exercício profissional comprometido com as demandas da sociedade e das práticas sociais. Para atingir esse objetivo, possui em sua matriz curricular a visão de uma formação ampla, inserindo-se, assim, a linguagem como uma das habilidades a ser aprimorada.
Nessa perspectiva, entende-se que dominar a língua e utilizá-la com competência é um grande diferencial no mundo letrado em que estamos inseridos. Mas diante disso, o que significa de fato escrever bem? Escrever bem, primeiramente, é conseguir atingir o objetivo da comunicação, é ser coerente, coeso e claro. É ser cuidadoso com o leitor, afinal, a compreensão de quem lê também depende da clareza de quem escreve. Ao se falar de texto escrito, muitos reduzem a grandiosidade dessa habilidade a aspectos puramente ortográficos. Certamente, a ortografia, em outras palavras, escrever correto, é importante. Mas a linguagem vai além e a construção dos sentidos do que enunciamos sempre deve ser a finalidade maior. Por isso, a linguagem precisa ser cuidada, praticada e vivenciada por todos.

